Se você está pensando em largar o cigarro, esta página responde às dúvidas mais comuns antes de começar: o que acontece no corpo, quanto tempo dura a vontade de fumar, se parar de fumar engorda e quais tratamentos têm evidência científica. O conteúdo é da Dra. Melina Teixeira, psiquiatra (CRM-SP 241600 | RQE 108269) especialista na saúde mental de mulheres.
O tabagismo ainda é uma das principais causas evitáveis de doenças no mundo, mas parar de fumar vai muito além de “ter força de vontade”. A nicotina provoca uma dependência química importante, além de estar associada a hábitos, emoções, ansiedade e rotina.
Por isso, tentativas isoladas costumam falhar não por falta de determinação, mas porque o cigarro ocupa várias funções ao mesmo tempo: pausa no trabalho, alívio da ansiedade, momento social, resposta ao estresse. Tratar apenas a dependência química, sem olhar para esses gatilhos, deixa metade do problema de pé.
Os sintomas de abstinência da nicotina costumam ser mais intensos nos primeiros dias e tendem a diminuir ao longo das primeiras semanas. A vontade de fumar não é contínua: ela aparece em ondas, e cada episódio de fissura costuma passar em poucos minutos.
Nessa fase é comum sentir:
Todos esses sintomas são tratáveis. Quando a abstinência vem acompanhada de ansiedade importante, sintomas depressivos ou insônia persistente, o acompanhamento psiquiátrico faz diferença direta na chance de sucesso.
Nem sempre. Algumas pessoas podem apresentar aumento de peso após interromper o cigarro, principalmente porque a nicotina reduz o apetite e altera o metabolismo.
Outro ponto importante é que, após parar de fumar, ocorre melhora da sensibilidade das papilas gustativas. Os sabores e aromas voltam a ser percebidos com mais intensidade, o que naturalmente pode aumentar o prazer em comer.
Mas isso não significa que o ganho de peso seja inevitável. Com acompanhamento adequado, mudanças graduais de hábito e suporte profissional, é possível parar de fumar sem grandes alterações no peso corporal e, principalmente, com muito mais saúde e qualidade de vida.
As mulheres metabolizam a nicotina mais rapidamente do que os homens, o que pode aumentar o grau de dependência e dificultar os períodos sem cigarro. Além disso, fatores hormonais, emocionais e sociais influenciam diretamente o comportamento relacionado ao tabagismo.
Estudos mostram que o tabagismo pode piorar sintomas da tensão pré-menstrual (TPM), possivelmente porque a nicotina interfere em circuitos cerebrais relacionados ao estresse e à regulação emocional. Fumar também está associado a:
Durante a gravidez, o metabolismo da nicotina se torna ainda mais acelerado, aumentando a dependência e dificultando a interrupção do cigarro. Por isso, sempre que possível, vale muito a pena iniciar o processo de cessação antes da gestação.
Existe a ideia de que basta decidir parar para conseguir abandonar o cigarro. Na prática, porém, a dependência da nicotina costuma exigir tratamento especializado.
Segundo dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), a combinação de aconselhamento e medicação mais do que dobra as chances de sucesso na interrupção do tabagismo.
O tratamento pode incluir:
Importante: nenhum desses medicamentos deve ser usado por conta própria. A escolha depende do seu histórico de uso, de outras condições de saúde e de medicações que você já tome.
Isso é extremamente comum. Muitas pessoas precisam de mais de uma tentativa até conseguirem interromper o cigarro de forma definitiva. Uma recaída não significa fracasso: significa apenas que o processo precisa ser retomado com novas estratégias e mais suporte.
Recomeçar também faz parte do tratamento da dependência de nicotina.
O SUS oferece tratamento gratuito para quem quer parar de fumar por meio de medicamentos como adesivos, pastilhas, gomas de mascar (terapia de reposição de nicotina) e bupropiona, além do acompanhamento médico necessário para cada caso. Segundo o Ministério da Saúde, basta procurar atendimento em uma das mais de 48 mil Unidades Básicas de Saúde distribuídas em todo o Brasil.
Se você prefere um acompanhamento individualizado, 100% online e voltado especificamente para a saúde mental feminina, o Programa RESPIRA da Dra. Melina Teixeira é um tratamento para parar de fumar exclusivo para mulheres, no Brasil e no exterior, com equipe multidisciplinar e plano individual para lidar com a fissura, a ansiedade e o medo de engordar.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Procure sempre um especialista para diagnóstico e tratamento adequados.
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